sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Brasil, a CBF e a Copa

Este blog já foi indagado algumas vezes por que chama a seleção brasileira de CBF. Nada mais justo do que um pequeno editorial para explicar tal atitude. Para deixar tudo bem claro o texto será escrito na primeira pessoa, já que tal a atitude é fruto da opinião do blogueiro vos escreve.

Ano de copa do mundo é uma beleza, não? Bandeiras brasileiras tremulando por todos os lados, o país vestido de verde e amarelo, todos unidos torcendo para nossa seleção ser campeã do mundo pela enésima vez. Diferente da maioria das pessoas eu não vejo nada de bonito nisso, o que vejo em sua grande maioria é um bando de hipócritas, ou simplesmente inocentes demais, entrando numa onda de ufanismo estúpida e assustadoramente passageira.

Outro dia vi no twitter do comediante Danilo Gentili (@danilogentili) a seguinte frase: "Patriotismo de brasileiro é = poodle de madame: só é solto de 4 em 4 anos e qndo sai na rua se porta como débil-mental." Isso para mim definiu perfeitamente a atitude do povo brasileiro durante a copa. Somos uma sociedade de pessoas egoístas, ter amor à pátria e defender nosso país com unhas e dentes não faz parte de nossa cultura. Nunca participamos de uma grande guerra em que tivéssemos que defender nosso território e cultura (os paraguaios que me perdoem). Somos uma nação relaxada e no fundo a maior parte de nós está cagando para o Brasil.Nos preocupamos com nossas próprias vidas e só lembramos de nossa pátria quando onze homens vestidos de amarelo entram em campo para chutar uma bola.

De onde veio isso? Os mais velhos irão lembrar da copa do mundo de 1970 e sua famosa campanha dos "90 milhões em ação". Um artifício promovido pela ditadura militar para fomentar o ufanismo e o amor à pátria. Naquela época o futebol era o esporte mais popular do Brasil, mas só interessava a quem gostava de futebol. Depois daquela copa, que também foi a primeira televisionada para todo o país, o futebol passou a ser muito mais do que isso e seleção brasileira virou o estandarte do patriotismo tupiniquim. Um patriotismo que começa no momento que a bola rola no primeiro jogo dos canarinhos e termina quando o time é eliminado (se a seleção ganha a copa esse sentimento é extendido por algumas horas ou dias dependendo do indivíduo).

A mídia e a imprensa também tem um papel significativo nessa história toda. A atitude de grande parte da nossa imprensa (a rede Globo em especial) é vergonhosa. Nada contra um veículo enaltecer a torcida para sua pátria, mas provocar a torcida contra outras nações simplesmente por elas serem boas no esporte que disputam é ridículo. E esse comportamento que era comum na copa está se espalhando para qualquer evento esportivo. Lembro-me do GP Brasil de F1 de 2009 em que Rubens Barrichelo precisava que Jenson Button não marcasse pontos para poder ser campeão. A rede Globo chegou às raias do ridículo ao fazer um bonequinho do piloto inglês e colocar seus jornalistas "secando" o boneco com toalhas. Mas o ápice foi o infâme editorial lido pelo repórter Tadeu Schmidt, em que falava que "a Globo torce muito para que o Brasil vença a copa independente de quem estiver no comando". Não é o papel de um veículo de comunicação em massa, ainda mais um do calibre da rede Globo, de se posicionar dessa maneira. Seria como dizer que eles torcem para que o PSDB ganhe a eleição presidencial mesmo não gostando do candidato do partido.

Pegando esse gancho é interessante notar como não se vê esse sentimento de preocupação com o país na época das eleições. 2010 não é ano de eleição presidencial, é ano de copa do mundo e que por acaso também tem eleição presidencial. Duvida? Pergunte a qualquer um a escalação da seleção brasileira de 2006, aposto que vão lembrar no mínimo de 8 jogadores do time titular. Depois perguntem o nome do vice-presidente do Brasil e de dois candidatos que concorreram com o Lula nas eleições daquele ano.

E não vamos nos esquecer da CBF, a entidade que rege o esporte bretão no Brasil e cuida da seleção brasileira. Comandada pelo super legal Ricardo Teixeira e sua tchurma. Uma entidade que parece só se preocupar com a seleção brasileira, esquecendo dos clubes que são aqueles que revelam os jogadores que no futuro vão vestir a camisa da CBF. É justo a seleção ser patrocinada por onze empresas enquanto até os grandes clubes brasileiros tem dificuldade de conseguir um patrocinador sequer? Temos que ver nossos times do coração fazendo contratos de um, dois, três jogos e lutando para manter suas contas em dia. Isso sem contar com o fato de que a seleção não faz amistosos em casa e ainda cobra para jogar contra outros selecionados mundo afora. A atual casa dos canarinhos é o Emirates Stadium em Londres, o estádio em que o Brasil mais jogou em tempos recentes.

Por todas essas razões eu desenvolvi um verdadeiro nojo da seleção brasileira de futebol. E quando falo isso ainda sou obrigado a ouvir: "Nossa, mas você não gosta do seu país?" O meu país não são 11 homens vestidos de amarelo. E se vamos falar de esporte, eu torço para os atletas brasileiros em todos os outros. Principalmente os que fazem parte dos jogos olímpicos, já que esses precisam se esforçar muito por não terem o apoio que qualquer perna de pau que joga futebol tem. Enquanto isso os poodles débeis ficam se rasgando de preocupação pelo Kaká e pelo Elano, sendo qua a maioria sequer sabe em que país e clube eles jogam durante os três anos em que não tem copa do mundo. Eu cansei dessa hipocrisia e decidi não fazer parte desse circo.

P.S. Tenho um vizinho que sempre assiste os jogos de futebol do Brasil e vibra com os gols. Ele foi o único que ouvi comemorando a vitória sobre os EUA na Copa das Confederações e alguém que tenho certeza que não é um torcedor modinha que vira brasileiro de 4 em 4 anos. Quem dera mais pessoas fossem como ele.

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