No próximo domingo veremos a final da Superliga de vôlei entre as equipes do Sesi e Sada/Cruzeiro. Nunca me interessei por vôlei, só acompanho este esporte durante as olimpíadas e Jogos panamericanos para torcer por medalhas brasileiras (assim como a maioria dos brasileiros fazem na copa do mundo de futebol) e portanto não poderia me importar menos com o resultado da partida. No entanto chegaram a minha atenção os fatos ocorridos durante as semi-finais entre o time do Sada e o do Vôlei Futuro, onde a torcida da equipe mineira provocou e discriminou o atacante Michael da equipe rival. A razão para tal perseguição tão específica? Michael é homossexual assumido. Toda vez que o jogador tocava na bola escutava-se a torcida gritando "bicha, bicha".
Confesso que fiquei surpreendido com isso. Torcedores de vôlei são em sua maioria pessoas educadas e respeitosas, então qual a razão dessa atitude? A resposta só veio quando, vendo as imagens do jogo, me deparei com bandeiras e uniformes de torcidas organizadas do Cruzeiro Esporte Clube. Quem já foi a um estádio de futebol sabe muito bem que nesse locais tais atos não são só comuns como bem vistos e as vezes até encorajados. Essas bestas (por que me recuso a considerá-los seres humanos) não eram torcedores de vôlei usuais, aqueles que acompanham as notícias do esporte e os jogos de seu time do coração. Eram torcedores de futebol que estavam ali única e exclusivamente por que o time do Sada expõe em seu uniforme o escudo e as cores do Cruzeiro.
Imaginou-se que após a repercussão negativa do primeiro jogo veriamos um comportamento diferente da torcida azul no terceiro embate, mas o que se viu foi ainda pior. Não satisfeitos em pegar no pé de Michael os celestes trataram de cantar em coro o nome de Richarlysson (voltante do Clube Atlético Mineiro, maior rival cruzeirense) e falar que Michael era atleticano. Agora eu faço uma pergunta, o que o Atlético e Richarlysson tem a ver com essa situação? O alvinegro sequer possui um equipe de vôlei e mesmo se tivesse duvido que o jogador mencionado jogaria nela. Outra coisa, Richarlysson jamais tornou pública sua preferência sexual (e não tem obrigação nenhuma de fazê-la), portanto qualquer insinuação a respeito não passa de especulação e calúnia.
Deixo claro que nem toda a torcida fez parte desse papelão, tendo alguns inclusive escrito cartazes pedindo desculpas a Michael. No entanto, estou aqui para falar dessas bestas que cometeram esse terrível ato de homofobia. Para estas bestas nada além do futebol (e aparentemente a escolha sexual dos outros) importa, se a equipe do Sada/Cruzeiro terminasse hoje duvido que isso faria alguma diferença em suas vidas. É uma pena ver essa corja envolvida com esse time, que é muito bom e pelo visto tem um trabalho sério sendo feito.
Termino com um pedido, deixem o vôlei em paz suas bestas! Voltem aos estádio de futebol que, infelizmente, é seu habitat natural e deixem o vôlei para as pessoas de bem que são as que fazem dele um sucesso tão grande no Brasil.
Editado - O Sada/Cruzeiro perdeu a final para o SESI em pleno Mineirinho, na frente de seus torcedores que devem estar se lamentando muito e das bestas que devem estar procurando na tabela quando será o próximo jogo pela Libertadores da América.
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