Muito tem se falado numa crise esportística e ética no automobilismo. Que a competição foi deixada de lado para se concentrar somente nos negócios e que com isso o esporte está perdendo prestígio mundialmente. Tudo isso fomentado pelos escândalos que curiosmanete envolveram três pilotos brasileiros, Felipe Massa, Hélio Castroneves e Rubens Brarrichello. Bem, como diria nosso amigo Jack (o estripador): "Vamos por partes."
DEIXA PASSAR
Até pouco tempo Massa era a "menina dos olhos" da imprensa e população brasileira. Um piloto com gana de campeão, diferentemente do vendido e fraco Rubens Barrichello. Acontece que Massa passou pela mesma situação de Rubinho e reagiu da mesma maneira, seguiu as ordens da equipe e deixou seu companheiro passar. Uma coisa tem que ficar bem clara aqui, a Ferrari não tem nada contra os brasileiros e a prioridade é sempre com a equipe e não com um piloto em espcífico.Mesmo na era Schumacher a equipe continuava sendo o principal foco. O nosso querido brasileirinho era sempre preterido por que tinha como colega um piloto que além de ser superior já tinha mais tempo de casa (o fato dos carros serem moldados ao estilo de pilotagem do alemão com certeza também não ajudava). A questão é, que a equipe sempre trabalhou de modo que pudesse levar pra casa o título de construtores e de pilotos no final do ano, e o piloto acabava sendo sempre Schumi por que ele era mais rápido. A mesma coisa ocorre hoje em dia. Alonso é mais rápido que Massa, mesmo estando em seu ano de estréia, e é o único entre os dois que ainda tem chances de ser campeão. Portanto, nada mais natural para a turma de Maranello do que ajuda-lo o máximo possível. Além disso, favorecimento a um piloto dentro de uma equipe é algo que sempre existiu, só que na maioria das vezes é feito de maneira sutil. Na época que Senna e Prost corriam juntos na McLaren, o carro do brasileiro era propositalmente mais bem regulado em Interlagos, enquanto em Magny-Cours o carro do francês era o mais veloz. O problema tanto de Massa quanto de Rubinho é que são frouxos e birrentos. Ambos tiveram a opção de desobedecer as ordens e lutar pelos seus direitos dentro da equipe, mas acabaram escolhendo mostrar sua insatisfação dentro da pista e prejudicar a sua imagem e a da escuderia para qual pilotam.
NÃO DEIXO NÃO
O outro lado da polêmica, nesse caso envolvendo Rubinho e Helinho, é mais preocupante no aspecto ético. Mas não dos pilotos e sim de quem está do lado de fora das pistas. No mesmo dia em que Massa parou para deixar Alonso passar Hélio fez o inverso com Will Power para defender sua posição:
Duas semanas depois foi a vez de Schumacher tentar fechar a porta para Rubinho para não perder a décima posição:
Em ambos os casos os pilotos foram punidos, Helinho perdeu a vitória e Schumi 10 posições no grid da corrida seguinte. Entretanto, enquanto Hélio foi visto com um injustiçado, Michael foi execrado e tratado como vilão. O apelido de Dick Vigarista voltou, foram lembradas as duas vezes em que ele jogou o carro em cima de um adversário para tentar garantir o titulo mundial. Na minha opinião um exagero, quem viu Senna e Prost vai sem lembrar desses momentos polêmicos ente os dois:
Interessante como nenhum dos dois pilotos foi punido e tampouco receberam a avalanche de críticas que que soterraram Schumi. Pilotos de corrida são naturalmente pessoas extremamente competitivas e em muitos casos farão tudo que estiver ao seu alcance para vencer. Afinal de contas é para isso que eles estão lá, ninguém entra num carro de corrida para chegar em segundo. Muitos comentários foram feitos falando que o heptacampeão exagerou e sua manobra foi perigosa e de fato ela foi, mas será que Senna e Prost não arriscaram suas vidas da mesma maneira? (ou até mais, já que os carros naquela época eram bem menos seguros) Quanto a Hélio, não costumo assistir as corridas da Indy mas não duvido que outros pilotos não façam manobras similares nos circuitos ovais onde as consequências de uma colisão são muito maiores.
Enfim, dizem que o jogo de equipe e outros interesses estão prejudicando o esporte e a competição, mas na minha opinião acho que o bom-mocismo e o politicamente correto são muito mais prejudiciais. O jogo de equipe afeta apenas alguns resultados, mas o politicamente correto afetas as corridas como um todo.
Muito bom o texto...
ResponderExcluirEu acho que gosto muito do bom-mocismo (ótimo neologismo) e do politicamente correto mas como já dizia Aristóteles a 300 anos antes de cristo o melhor é o "justo-meio" ou meio termo....
Embora o politicamente correto na minha opinião deve ser sempre tentado, essa caracteristica não pode por outro lado prejudicar o esporte.