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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Garagem dos sonhos

Creio que qualquer entusiasta por automóveis, tal como eu ,já imaginou como ficaria a sua garagem caso dinheiro não fosse um empecilho. Eu mesmo resolvi fazer esse pequeno exercício outro dia e descobri que até mesmo meus sonhos são comportados. longe de mim querer ter uma coleção extensa como a do Jay Leno (que possui mais de 150 veículos) ou exclusivíssima e de extremo bom gosto como a de Ralph Lauren. Minha garagem ideal teria 10 carros e apenas 3 seriam considerados peças de colecionador. Ninguém mandou sonhar pequeno né? Vamos aos escolhidos:

Subaru Impreza P1


A primeira peça de colecionador da lista. Aqueles que me conhecem bem já devem ter me ouvido professar em alguma circunstância meu amor por carros de rali, em especial o japonês Impreza. O Scooby (como é chamado pelos entusiastas) é uma lenda do automobilismo e a versão P1 é considerada por muitos a melhor já feita. Além de possuir o diferencial de ter apenas 2 portas ao invés das tradicionais 4 esse modelo foi modificado pela Prodrive especialmente para o mercado britânico. E para quem não sabe, a Prodrive era a responsável pelos carros do time da Subaru no WRC e pelos carros de F1 da já morta B.A.R. (atual Mercedes). Precisa dizer mais?

Fiat 500


No atual trânsito das cidades grandes ter um carro pequeno tem se tornado uma vantagem cada vez maior, e o melhor deles por essas bandas é o pequeno Fiat. Esse "ratinho" desbanca todos os seus rivais em elegância, praticidade e principalmente beleza (os fãs do Mini que me perdoem). Seu pequeno motor 1.4 dá e sobra para o uso urbano, mas se fosse possível eu gostaria de ter a versão com motor de dois cilindros 1.0 Turbo que sairá em breve na europa. Esse sim vai ser econômico.

BMW M3


Creio que em qualquer grande coleção não pode faltar um propulsor V8. Os oito canecos são geralmente encontrados dentro daquelas carroças que os americanos chamam de Muscle Cars, mas eu prefiro essa casinha feita na bavária. Afinal de contas (como já dizia a propaganda) potência não é nada sem controle e isso a M3 tem de sobra.

Lancia Delta Integrale


Se o Impreza é uma lenda do rali o Delta é um Deus. Esse hatch italiano foi nada menos que 6 vezes campeão mundial de rali. Ele também foi a canção do cisne da Lancia, antes da empresa entrar em falência e sumir para sempre. É o segundo item da lista que pode-se considerar um carro de colecionador.

P.S. a marca Lancia ainda existe como uma subdivisão da Fiat mas hoje em dia só faz carros feios e sem graça.

Nissan GTR


A mais nova encarnação do Godzilla chegou com a fama de fazer Ferraris comerem poeira custando metade do preço e de (discutivelmente) ser mais rápido na pista longa de Nürburgring que um Porsche 911 Turbo. Verdade ou não o GTR é um grande sucesso da engenharia automotiva, um carro de vídeo-game na vida real e só por isso já merece lugar nessa lista.

Lamborghini Gallardo


Supercarros em sua maioria são peças automotivas super valorizadas, frágeis e sem nenhuma utilidade prática. E daí? Nada chama mais atenção na rua do que um supercarro, nada exemplifica "eu tenho tanta grana que posso me dar ao luxo de comprar um para me exibir" melhor do que um supercarro. Infelizmente por aqui a única coisa que se vê são Ferraris vermelhas. Realmente, dinheiro não compra criatividade. O meu Gallardo seria uma resposta a tudo isso, afinal, quem iria conseguir olhar para uma Ferrari vermelha quando visse ao seu lado um Lambo verde com bancos na cor laranja?

Audi RS6


No meio de todos esse carros de exibição e ostentação precisamos abrir espaço para algo mais prático, mais dia-a-dia, até mesmo mais família. E nada melhor do que uma perua, um carro espaçoso com um porta-malas enorme, ideal para fazer longas viagens. Não vamos sequer pensar no fato de que esse carro sensato possui tração integral e muito menos na irrelevância de seu motor ser um V10 bi-turbo de 580 cv. Afinal de contas, quem liga pra isso né?

Jaguar E-Type


A última peça de coleção da lista é o carro mais valioso de todos aqui. Eu poderia ficar horas discutindo sobre cada curva dessa perfeição automotiva, mas convenhamos, ninguém quer ler sobre isso. Basta então dizer que este carro é considerado por vários especialistas como o mais belo de todos os tempos, e eu concordo.

Maserati Gran Turismo


Se carros fossem pessoas esse aí seria a Gisele Bundchen, não existe GT moderno no mundo mais agradável de se olhar que esse. Ele é tão bonito que você não vai ligar que no fundo ele é um primo pobre da Ferrari e vai esquecer o quanto é ridículo andar por aí com sua cara abobada aparecendo graças ao teto conversível. Apenas coloque seus óculos escuros, sinta o vento em seu rosto e pense que todos na rua gostariam de estar tão ridículos quanto você.

Honda NSX


O último carro da lista tem um lugar especial no meu coração. Ele foi o primeiro carro do mundo a ser equipado com um motor V-TEC, ou seja, é o primeiro carro a possuir comando variável de válvulas que hoje já é algo comum entre os carros da Honda e outras marcas mundo afora. Além disso ele foi a primeira tentativa da terra do sol nascente em produzir um supercarro pra valer. E se nada disso te empolgou, talvez valha a pena saber que o seu desenvolvimento foi assessorado por ninguém menos que Ayrton Senna.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O homem de gelo e as corridas na lama

Essa semana Kimi Raikkonen disse que não se vê retornando para a F1 no futuro. Confesso que vi essa vindo de longe, principalmente depois de ver essa foto.

Quando foi a última vez que se viu ele dar um sorriso desses na mais badalada de todas as categorias do automobilismo? Kimi me passa a impressão de ser um cara que corre por que gosta e claramente ele já não gostava da F1. É um ambiente muito cheio de pressão, com os holofotes da mídia ligados 24 horas por dia, infinitas restrições da FIA e muito jogo político e de vaidades por trás. No WRC as coisas são mais simples, as corridas acontecem no interior ao invés de principados, não se vê estrelas de cinema e príncipes andando pelo paddock e os pilotos não são figurinhas marcadas dos tablóides e revistas de fofocas. Em outras palavras, é o ambiente perfeito para um cara como Kimi, que nunca se interessou em chamar atenção.
Na verdade o WRC parece ser o habitat natural dos finlandeses, dos 18 campeões mundiais que a categoria teve até hoje 7 são finlandeses e eles acumulam 12 títulos no total. É incrível como esse pequeno país escandinavo consegue produzir tantos pilotos de alto nível.
Enfim, a ida de Kimi ao WRC fez muito bem para ele e para a categoria, que recentemente tem tido dificuldade em captar a atenção do público graças às saídas de importantes montadoras e o amplo domínio de Sébastian Loeb. E se você ainda se pergunta o por que do WRC ser tão legal, acho que esse vídeo explica muito bem:



P.S. espero que ele se mantenha lá e não me faça pagar a língua futuramente

sábado, 14 de agosto de 2010

Ética e crise no asfalto

Muito tem se falado numa crise esportística e ética no automobilismo. Que a competição foi deixada de lado para se concentrar somente nos negócios e que com isso o esporte está perdendo prestígio mundialmente. Tudo isso fomentado pelos escândalos que curiosmanete envolveram três pilotos brasileiros, Felipe Massa, Hélio Castroneves e Rubens Brarrichello. Bem, como diria nosso amigo Jack (o estripador): "Vamos por partes."

DEIXA PASSAR

Até pouco tempo Massa era a "menina dos olhos" da imprensa e população brasileira. Um piloto com gana de campeão, diferentemente do vendido e fraco Rubens Barrichello. Acontece que Massa passou pela mesma situação de Rubinho e reagiu da mesma maneira, seguiu as ordens da equipe e deixou seu companheiro passar. Uma coisa tem que ficar bem clara aqui, a Ferrari não tem nada contra os brasileiros e a prioridade é sempre com a equipe e não com um piloto em espcífico.Mesmo na era Schumacher a equipe continuava sendo o principal foco. O nosso querido brasileirinho era sempre preterido por que tinha como colega um piloto que além de ser superior já tinha mais tempo de casa (o fato dos carros serem moldados ao estilo de pilotagem do alemão com certeza também não ajudava). A questão é, que a equipe sempre trabalhou de modo que pudesse levar pra casa o título de construtores e de pilotos no final do ano, e o piloto acabava sendo sempre Schumi por que ele era mais rápido. A mesma coisa ocorre hoje em dia. Alonso é mais rápido que Massa, mesmo estando em seu ano de estréia, e é o único entre os dois que ainda tem chances de ser campeão. Portanto, nada mais natural para a turma de Maranello do que ajuda-lo o máximo possível. Além disso, favorecimento a um piloto dentro de uma equipe é algo que sempre existiu, só que na maioria das vezes é feito de maneira sutil. Na época que Senna e Prost corriam juntos na McLaren, o carro do brasileiro era propositalmente mais bem regulado em Interlagos, enquanto em Magny-Cours o carro do francês era o mais veloz. O problema tanto de Massa quanto de Rubinho é que são frouxos e birrentos. Ambos tiveram a opção de desobedecer as ordens e lutar pelos seus direitos dentro da equipe, mas acabaram escolhendo mostrar sua insatisfação dentro da pista e prejudicar a sua imagem e a da escuderia para qual pilotam.

NÃO DEIXO NÃO

O outro lado da polêmica, nesse caso envolvendo Rubinho e Helinho, é mais preocupante no aspecto ético. Mas não dos pilotos e sim de quem está do lado de fora das pistas. No mesmo dia em que Massa parou para deixar Alonso passar Hélio fez o inverso com Will Power para defender sua posição:



Duas semanas depois foi a vez de Schumacher tentar fechar a porta para Rubinho para não perder a décima posição:



Em ambos os casos os pilotos foram punidos, Helinho perdeu a vitória e Schumi 10 posições no grid da corrida seguinte. Entretanto, enquanto Hélio foi visto com um injustiçado, Michael foi execrado e tratado como vilão. O apelido de Dick Vigarista voltou, foram lembradas as duas vezes em que ele jogou o carro em cima de um adversário para tentar garantir o titulo mundial. Na minha opinião um exagero, quem viu Senna e Prost vai sem lembrar desses momentos polêmicos ente os dois:



Interessante como nenhum dos dois pilotos foi punido e tampouco receberam a avalanche de críticas que que soterraram Schumi. Pilotos de corrida são naturalmente pessoas extremamente competitivas e em muitos casos farão tudo que estiver ao seu alcance para vencer. Afinal de contas é para isso que eles estão lá, ninguém entra num carro de corrida para chegar em segundo. Muitos comentários foram feitos falando que o heptacampeão exagerou e sua manobra foi perigosa e de fato ela foi, mas será que Senna e Prost não arriscaram suas vidas da mesma maneira? (ou até mais, já que os carros naquela época eram bem menos seguros) Quanto a Hélio, não costumo assistir as corridas da Indy mas não duvido que outros pilotos não façam manobras similares nos circuitos ovais onde as consequências de uma colisão são muito maiores.

Enfim, dizem que o jogo de equipe e outros interesses estão prejudicando o esporte e a competição, mas na minha opinião acho que o bom-mocismo e o politicamente correto são muito mais prejudiciais. O jogo de equipe afeta apenas alguns resultados, mas o politicamente correto afetas as corridas como um todo.

domingo, 25 de abril de 2010

Cinema, paixão e carros

Recentemente vi o documentário "Love the Beast", traduzido para português como "Paixão pela velocidade" ou algo ridículo assim. Produzido, dirigido e estrelado por Eric Bana (cujo único filme que me lembro é o péssimo "Hulk") o filme conta a história de amor do ator pelo automobilismo e seu carro, um Ford GT Falcon Coupe. Ou como ele gosta de chamar, "My Beast". O único problema dessa película é que para apreciá-la você precisa ser (como eu) um entusiasta por automóveis. Por que o filme não passa de uma grande declaração de amor do ator ao seu primeiro e favorito carro.
Após o fim dos créditos eu fiquei pensando nas questões levantadas pelo filme: o que nos faz criar laços tão fortes com um objeto inanimado? Por que os carros exercem esse fascínio sobre nós? E em que ponto eles deixam de ser meios de transporte para se tornarem (em alguns casos) um estilo de vida?
Um dos meus grandes sonhos é possuir um carro esporte, bem possante e estável. Que eu possa sair e dirigir pelo prazer do ato de dirigir e não pela necessidade de ter que ir a algum lugar. Sentir a aceleração fulminante, o rugido do motor e por fim voltar para casa com uma multa por excesso de velocidade. Essa vontade é algo que existe em mim desde minha infância, mas de onde vem isso? E se um dia esse desejo se realizar será que eu vou me ligar ao meu carro como Bana se ligou à sua "Beast"? Ou ficarei enjoado dele e o trocarei por algo mais novo e mais veloz?
Enquanto esse dia não chegar posso apenas especular e assistir "Love the Beast". Em loop.